16.3.08

Opinião

Casal gótico foi impedido de entrar num autocarro porque namorado passeava namorada com coleira e trela. Acusam o motorista de discriminação devido à maneira como estavam vestidos.
A história original aqui.



Artigo de opinião para quem quiser ler, in Gotika.

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7.3.08

Gótico: o que dizem de nós

Há muitos anos que leio a revista "Boa Estrela" por manter uma abordagem informativa mas essencial aos variados temas do sobrenatural e do oculto, abrindo assim a porta para o leitor interessado investigar à posteriori se assim o entender.
Em Maio de 2007, a edição da "Boa Estrela" trazia quatro páginas dedicadas à cultura gótica. Até aqui nada de mais. Também podiam falar da Guarda Republicana ou do lince da Malcata se o fizessem bem. Aliás, uma vez a "Boa Estrela" fê-lo como deve ser e eu até elogiei aqui. Na altura não tinha scanner mas suspeito que ainda guardo algures o artigo, em papel. (Se houver interesse também posso ir buscá-lo, mesmo desafiando o terrível exército de ácaros que o vigiam ferozmente.)
Em Maio do ano passado, contudo, a revista "Boa Estrela" produziu uma das maiores bostas já escritas sobre os góticos e a sua sub-cultura, não só copiando em estilo e prosa sites brasileiros encontrados por essa internet fora, como também, dentro do próprio artigo, o que é jornalisticamente gravíssimo, contradizendo numa caixa o que é dito na outra, o que só me leva a pensar que o/a editor/a estava a dormir e a precisar de encher chouriços.
Mas o pior, mesmo o pior!, que me faz voltar a isto tanto tempo depois porque só agora tive disponibilidade e paciência, é que apresenta uma imagem distorcida e chocante do movimento gótico. Imagino uma pessoa normal a ler estes disparates: um pai, uma mãe, alguém que nunca conheceu um gótico, e a ideia repulsiva que tira do artigo de que os góticos são uma seita religiosa de hábitos ritualísticos de pôr os cabelos em pé, como beber sangue e passear pelos cemitérios à noite.
É por isso que este artigo vai ser devidamente zurzido, como merece toda e qualquer peça que se apresente como jornalística e fale do que desconhece. Lamento que a qualidade da revista "Boa Estrela" tenha ido pela escada abaixo a rebolar nos últimos anos, nomeadamente começando artigos como: "Os centauros eram animais que viviam na Grécia Antiga" (e outras pérolas do género). Que os centauros não se manifestem é lá com eles, mas quem não se sente não é filho de boa gente.
Vamos então, primeiro, à parte séria, e passemos depois ao gozo, que no fim até se arranca daqui umas gargalhadas.

Favor ver as páginas scanadas em baixo, na íntegra. (Só foi retirada publicidade a uma vidente cá do sítio que será reposta assim que a senhora nos pagar o anúncio.)
O artigo começa mal do princípio, colocado como está na secção "CRENÇAS E RELIGIÕES".
E diz mesmo, logo a abrir: "A religião gótica constitui uma outra cultura, estilo e maneira de pensar." Religião quê?!... E continua mais à frente: "Os góticos normalmente têm discussões espirituosas sobre a evolução da religião e o seu lugar na sociedade moderna. Ser gótico é, afinal, uma outra forma de tribalismo (...) Como a maioria dos grupos religiosos, os góticos tentam sempre manter de fora quem não adere à sua forma de estar na vida."

Para descansar pais, avós, tios e até góticos confusos:

O MOVIMENTO GÓTICO NÃO É UMA RELIGIÃO!

Definição de religão, para quem não sabe, como se pode ler no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora:

religião, s.f. culto prestado à divindade; conjunto de preceitos e práticas pelas quais se comunica com um ser ou seres superiores; doutrina ou crença religiosa; reverência ou respeito às coisas sagradas; temor de Deus;...

Cultura gótica, sim. Religião gótica, nunca. Religião implica a existência de um deus, ou deuses, e, que eu saiba, a única coisa que todos os góticos adoram é a música. Góticos e outros melómanos como os malucos do jazz ou os eruditos da música clássica.
A sub-cultura gótica é tão tribalista como qualquer outra sub-cultura urbana.
E não, os góticos não andam por aí a cortar o pescoço a "quem não adere à sua forma de estar na vida". Era só o que faltava, além de religiosos também sermos fundamentalistas.

Termina aqui a parte séria. Quem quiser rir mais pode ir ler o resto.





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10.5.07

Gótico: o que dizem de nós

In jornal "Metro", 6 de Maio de 2007, de que transcrevo excertos do papel para aqui para vosso prazer de leitura:


Texto de Luís Guerra
Foi você que pediu o regresso do gótico?

TENDÊNCIAS Adormecido durante quase vinte anos, o estilo gótico está de volta. Do rock para grandes multidões à Procuradoria-Geral da República portuguesa, passando pela irmã mais nova de uma estrela pop silicónica - o negrume, os ambientes taciturnos e as dores do crescimento já se fazem sentir. E não, isto não tem nada a ver com o mosteiro da Batalha nem com os Sisters of Mercy.


Fala de seguida dos My Chemical Romance, "o porta-estandarte da nova 'vaga negra'", e do "realizador-cadáver" Tim Burton:

Burton alia um imaginário gótico não isento de humor a um fascínio pelos filmes de terror clássicos, como prova a homenagem ao desastrado Ed Wood.


Depois seguem-se as lolitas goth:

Do Japão chegam-nos os 'gadgets' mais inusitados, mas também tendências visuais cujo alcance ainda carece de explicação mais científica. (...) Trajes vitorianos, vestidos que se confundem com lingerie para matreirice de alcova, mas também artefactos aparentemente inocentes (ursinhos de peluche?! - não há um crucifixo, um morcego, nada?) fazem deste visual um sarilho tremendo para potenciais análises sociológicas.


A "irmã mais nova de uma estrela pop silicónica" refere-se a Ashlee, irmã de Jessica (não consta apelido), no artigo identificada como "estrela de 'reality-show' da MTV ('Newlyweds', sobre a sua vida de casada)", porque pinta o cabelo de preto e é aparentemente próxima de Robert Smith.

O olhar da serpente Notabilizou-se pelo combate à corrupção mas foi afastada, em 2002, da Polícia Judiciária (...) Maria josé Morgado acompanha agora de perto as falcatruas da arbitragem e nem a tonalidade do apito (douradinho como um filete) consegue ofuscar o olhar desconfiado, matreiro e sagaz da magistrada de 55 anos (...) Nada, de facto, como um estojo de maquilhagem com a dose certa de sombra, rímel e lápis preto para impor respeito. "Moonspell", é favor começar a tirar notas.


Para comentários ao texto, remeto os leitores do Pórtico para o meu blog pessoal por pudor de contaminar divulgação com opinião.

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